08/01/2016

Como contei para Bela que ela teria um irmãozinho e como descobri que eu não era SUPER, dobrando meu orgulho.



Ser mãe pela segunda vez fez sim, sempre, parte dos meus sonhos futuros. Futuros, como eu disse! Porém a segunda gestação veio antes do que eu pude imaginar, me preparar ou planejar.
Até me descobrir mãe, também do Benício, eu só dava espaço à Bela em meu coração. E toda vez que me imaginava amando outro filho, eu sinceramente, não conseguia chegar a um raciocínio lógico que me fizesse entender como seria possível! Logo, preferia parar e nem da margem à meus pensamentos.
É, doía. Eu pensava que seria injusto amar outro filho além dela. Afinal, ela era minha princesa e estivemos sozinhas por muito tempo.
Existia uma falta de maturidade que me fazia nos vitimar pelas circunstâncias que a vida tinha nos levado. Como por exemplo essa que insistem em chamar de ser “mãe solteira”.
Já disse que, hoje, detesto que me insiram meu estado civil a minha maternidade. Eu não sou uma coitada, ou uma qualquer porquê sou mãe e não sou casada.
Mas, anos atrás eu não pensava assim. E com amargor de vida levava esse “status” como se fosse uma vencedora por ter coragem de encarar a vida com uma filha sozinha.
 Bem, esse contexto vencedora não deveria se aplicar aqui. Afinal, sabemos que muitas mães, e hoje não é incomum, criam seus filhos sozinhas estando ou não casadas. É uma realidade.
Outras se dizem vencedoras e são, não me levem a mal, mas não porquê não abandonaram seus filhos e família como o ex parceiro. Não são vencedoras porquê são mães, mas simplesmente porquê continuaram. E continuar faz qualquer um vencedor; Mãe, pai ou filho!

 Munida de proteção, queria formar um domo sobre nós, que abria vez ou outra brechas para sonhos de ter uma família ou alguém pra me dizer que tudo daria certo. O que eu não enxergava nesse vitimíssimo todo, era que eu já tinha tudo isso. Quem sempre esteve comigo?
Primeiro Deus, e os abençoados e pacientes pais que Ele me deu.
Eles que estiveram comigo nas ocasiões mais difíceis e estiveram também presente quando eu não estive.

Quando engravidei do Beni eu estava morando sozinha em outra cidade. Meus planos iniciais eram de estabilizar minha vida e levar a Bela tão breve quando possível para morar comigo. Mas, numa dessa distrações que damos nos objetivos, eu me vi grávida do segundo filho.
Como já contei no post em que falo das minhas diferentes gestações, eu me vi assustada inicialmente, depois completamente apaixonada.
Falava com a Bela todos os dias pelo telefone, ansiosa por poder contar pessoalmente à ele que ela teria um irmãozinho. Mas como fazer isso por telefone? Ansiava poder estar perto dela para contar pessoalmente, mas nada contribuía. Hora eram as passagens caras, hora era o trabalho, hora era algum mal estar.
 Por fim, tinha medo de como ela receberia a notícia.
Pedi que minha mãe a sondasse todos o dias sobre o que ela achava que era ser irmã mais velha, e a resposta sempre era a mesma: - ...um máximo vó, alguém pra me obedecer.
            O Benício não é o primeiro ou único irmão  da Bela, na verdade é o terceiro, mas primeiro por parte de mãe, sendo assim,  aquele com quem ela teria mais contato na vida e passaria a dividir tudo.
 Ainda com minha mãe traçamos um planejamento.
Em casa, depois de idealizar o que seria ser uma irmã mais velha, por telefone eu contava a Bela como era minha experiência como irmã e pedia que ela orasse à Papai do Céu para que ele realizasse o desejo dela de ter um maninho. E ela fazia isso todos os dias em oração!
Foi logo depois do quarto mês, quando eu finalmente tive a confirmação do sexo do bebê, que não mais aguentei esperar para contar. Me sentia traíra por dividir minha felicidade com todo mundo, e esconder dela, que era meu maior motivo de alegria. Por fim, não daria mais para esperar e em breve eu estaria perto dela, com um imenso barrigão. Melhor que o choque fosse amenizado. Então, liguei e falei : - Bela, você tem orado pra Papai do Céu te conceda o desejo de ter um irmão?
E ela disse: - Sim mãeee, todo dia!
E eu temerosa continuei: - Sabe Bela, papai do Céu é muito bom e lindo! Ele nos abençoou. Ele sempre nos abençoa! Ele vai te dá um irmãozinho, um menininho e o nome dele vai ser Benício. E ela rompendo de entusiasmo responde: - Sério mãe? Quantos anos ele tem?
Parei para entender seu questionamento e logo imaginei a cabecinha tão nova dela trabalhando a ideia da mamãe indo ao supermercado e comprando um irmãozinho, parcelado em 36x.
Sorri e continuei: - Não Bela, você não entendeu! A mamãe está grávida!
Ouvi um eco na linha. Era ela gritando pra vó: “Vó minha mãe tá grávida!!”
E ela se voltou pra mim: - Nossa mãe, serio? Vou contar pra todo mundo na minha escola! Ai mãe quando ele chega? Ai mãe eu posso pegar no colo? Mãe....
Empolgação definiu aquele momento. E ainda bem que já tínhamos conversado em outra ocasião de onde vem os bebês, dessa forma não tive que explicar isso novamente.

Se parou por ae? Não! O trabalho na cabecinha dela foi diário. Ela teria que entender aquela nova situação. Entender que éramos uma família diferente, entender que eu gostaria que ela buscasse situações menos complicadas para ela na sua vida adulta, entender que teria que dividir tudo com o Beni, entender que ela já não era mais um bebezinho... é muita coisa pra alguém tão pequeno.
Mas foi feito! É feito, dia após dia, com muita conversa. Franca, delicada à capacidade de sua infância e cheia de companheirismo.

       Quando voltei à minha cidade, estava doida para abraça-la. Ela dormia, ainda era muito cedo. Mesmo assim a acordei e a primeira coisa que ela viu foi o meu barrigão. Ela sorriu e abraçou aquela imensidão que carregava o futuro todo. De lá pra cá somos assim, abraçados, agarrados. Nós três!
Fiz questão que ela entendesse sobre gestação e estivesse presente nas ultras e consultas.
          A primeira vez que viu o Beni na ultra, ela estava mega inquieta. Na verdade disse que só ouviu, porquê vê, ela não viu nada! Não entendeu aqueles borrões no monitor.
Lavou as roupas da maternidade comigo, ajudou a arrumar o quartinho, conversou e cantou para o irmão na barriga. Esteve presente, muito presente! Ela é presente, uma segunda mãe. Uma responsabilidade impecável como irmã mais velha.

           Hoje já esta mais fácil! Ela cresceu e entendeu que um bebê requer mais cuidados de bebê que ela que parte pra ser uma mocinha. Mas no início, por mais que estivesse contente e super protetora com o irmão, foi difícil assimilar tanta atenção ao embrulhinho recém chegado a família. Eu engatilhei a culpa por não lhe dar a mesma atenção.
Lembro de que no dia que cheguei da maternidade e coloquei o pé em casa eu não desejei descansar. Cuidei do Beni, e depois fui fazer a tarefa da escola com ela e lavar seu uniforme para o dia seguinte. Eu queria mostrar a mim mesma que eu era capaz e à ela que nada mudaria! Mas muda; o cansaço da rotina do dia a dia me mostrava que eu não era super coisa alguma.
Que eu era humana e imperfeita e tropeçaria nas minhas disfunções.
Eu precisaria sim pedir ajuda. E pedir ajuda nunca deveria ser levado como algo vergonhoso, vexaminoso! Meu orgulho precisaria se dobrar.
Logo eu que sempre fui muito orgulhosa, tenho consciência que 2015, o ano que passou, chegou pra mim com uma das maiores revelações: humildade.
Me conheci esse ano como não me conheci a vida inteira!

     Assim, uma narrativa de vida completamente diferente chegou com a estreia do Benício ao mundo. Eu fui balançada como mãe e mulher.
     E sou grata a Deus por todo cuidado que ele teve em cada pequena nuance do meu dia a dia, chegando ate hoje e indo além, naquele futuro que eu já posso imaginar.


Por fim não nasceu só uma nova mãe quando o segundo filho chegou. Nasceu um papai, uma maninha, avós e avôs babões, madrinha estreante, titias e muitas titias, titios acelerados na vontade de ensinar coisas radicais ao ímpeto de descoberta do Benie, nasceu tudo! Nasceu tudo e morreu o orgulho. Morreu uma mãe que achava que poderia tudo sozinha, que achava ser super e deu lugar a importância de cada um em nossas vidas.
Mas vou frear  minha vontade de contar em riquezas de detalhes, hoje, toda a beleza que superou os momentos difíceis  e encerrar por aqui, na alegria e gratidão constante de esta terminando esse texto com meus filhos ao meu lado na cama tão grudadinhos sob os edredons.

Deus é bom, em tudo cuida de nós!

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